Chainsaw Man e o trabalho
Um mangá com mais camadas que o senso comum pode imaginar
Chainsaw Man de Tatsuki Fujimoto é decerto o quadrinho japonês mais comentado no ocidente e possivelmente, será um estouro quando sair sua versão animada. Mas além do clima “edgy” que pode conquistar o jovem reacionário com “sangue, motosserra, peitos” e politicamente incorreto, Fujimoto adiciona camadas interessantes que mostra ser totalmente anti-reacionário. O protagonista vive em insegurança alimentar, na mais baixa classe social possível e recorre a violência para ascender socialmente e pagar uma dívida impagável que seu pai deixou. Privado de afeto e interação social além de cão (demônio), ele deseja coisas aparentemente pueris como um beijo, tocar um seio… Uma transa. Ele sente uma falta que nem entende bem. Não só de comida, mas de existir.
CM é sobre escravidão trabalhista, como a violência é o motriz social num capitalismo tardio, sórdido. Sua existência só é validada via força de trabalho (matando demônios) por míseros trocados. Quando ele vira a criatura título do quadrinho, sempre está de gravata, alusão direta aos salaryman (assalariados japoneses).
Para Marx, o capitalismo baseia-se na relação entre trabalho assalariado e capital, mais especificamente na produção do capital por meio da expropriação do valor do trabalho do proletário pelos donos dos meios de produção. A esse fenômeno Marx deu o nome de mais-valia. Chainsaw Man é sobre o fenômeno mais-valia que extorque os marginalizados da sociedade.


Comentários
Postar um comentário